Ainda

Ainda sou a menina que olha a vida pela janela do quarto
A que nasceu prematura e que foi vivendo prematuramente
Aprendeu a ter calma consigo mesma para enfrentar as situações novas
Mas se esconde atrás da sua solidão quando está com medo
A menina que ainda se apaixona em cada esquina
A que cria expectivas com qualquer grãozinho de areia
Ainda sou a menina que se encanta com o simples
A que chora quando se sente só
E se olha no espelho para conter as lágrimas
A menina que busca a alegria todos os dias
Ainda que não a encontre sempre
Aquela que tenta ter cautela com as pessoas
A que aprende todo dia a ser forte
Porque a vida não tem talvez
A menina que se esconde na sua introspecção quando está insegura
Que tem medo da novidade, mas que se joga no mundo.
Ainda sou a mesma menina com medo de altura e de escuro da infância.
Porque meu coração ainda é de menina.

Sobre se apaixonar todos os dias

As pessoas tem dentro delas muitos erros e acertos, mas talvez os erros delas são o que as fazem felizes. O mundo é uma construção de coisas e a linha entre o certo e o errado é muito tênue. Os erros e acertos são uma construção conceitual de cada um. Há dias em que conceituamos o outro e as relações sociais não são para serem teorizadas, são para serem sentidas. A partir do momento que deixamos de respeitar as vontade e desejos do outro, deixamos também de respeita-lo. Por outro lado somos seres naturalmente individualistas e por isso devemos aprender a não atropelar os outros. Não deixar com que nossos sentimentos, desejos ou vontades passem por cima dos sentimentos de outrém. Tantas teorias fazem a gente se perder nos sentimentos e deles. Estar com o outrém é apenas sentir, sentir o que aquele momento lhe proporcina, sem pensar naquele momento. Os pensamentos são para a solidão. A solidão doi.
As vezes é preciso saber dosar nossos sentimentos para que eles não invadam o coração alheio, uma coisa é estar triste, outra coisa e deixar essa tristeza contagiar o outro. É mais fácil abandonar o outro quando ele entristece ou se afoga em uma solidão, mas é mais bonito busca-lo, aconchega-lo em braços de companhia, afeto e carinho. Nem sempre é preciso estar perto para estar junto, mas se você está longe, faça com que o outro sinta que você está perto.
Há dias em que é preciso colocar um nariz de palhaço para arrancar um sorriso triste. Acredito que temos o direito e o dever de sermos felizes e no ápice de nossa lucidez devemos viver os momentos sem medo, ainda que com cautela, da forma mais intensa possível. Porque intensidade é sentir e sentir faz bem. Sentir a proteção nos momentos de insegurança, sentir alegria nos momentos de amor, sentir-se só. Não devemos nos deixar sós. O mundo é verdadeiramente cão e precisamos encontrar valvulas de escape para fugir dele. Devemos entender que cada momento é único e que se ficarmos teorizando, vamos perdê-lo. É mesmo preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. A tal da intensidade. As pessoas não são o que elas fazem, mas sim o que elas fazem para gente. É sempre bom pensar no que fazemos para as pessoas então, porque é isso que importa. Acho que a felicidade está acima de tudo, é a melhor sensação que podemos ter.

Já dizia Shakespeare, "ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa. " Talvez esse seja meu problema, sou apaixonada pelas pessoas e me apaixono todos os dias.

Dedicado a um amigo

Ele sabe colocar um nariz de palhaço e uma maquiagem feliz, mesmo nos dias de chuva. E se os pingos d'agua borrarem toda a maquiagem e ele ficar mais parecendo um monstrinho, ele ainda terá o nariz de palhaço de plástico para me fazer sorrir. Há dias em que eu sinto falta das longas filosofias da madrugada, dos amores incondicionais, das dores, das saidas irreverentes e das pequenas alegrias. Porque ele é o menino que me apresentou uma revista chamada "Sorria", que me deu um outro lado do amor, que me fez vê-lo no seu pior estado numa noite e acordou com o maior sorriso do mundo, de cabelo de gel e cadernos na mão no outro. Esses braçinhos sempre me recebem com um abraço apertado e os labios me sorriem um: "- oi loirinha". As vezes eu me lembro dos velhos passeios no Palacio das Artes, do livro de assinaturas da exposição que o Michael Jackson tinha passado, lembro do samba-rock a noite nos shows do graveola, bem antigamente, com direito a peregrinação para chegar aos locais e teatro com interatividade. Ah, isso sem falar das crises existencias que dividiamos. Quando eu o vejo, eu me lembro que nem sempre é preciso estar perto para estar junto. Meu mundo ganha um pouquinho de alegria com os nossos sonhos, as vezes sinto a ligeira imprenssão que podemos subir em um barquinho de papel e sair navegando pela vida de uma forma suave e doce. Nesses dias o céu se confude com o mar e estariamos em um imenso azul. Acho que é essa alegria contagiante. Helinho Suquinho esse texto é pra você, porque as vezes é bom relembrar os amigos o quanto eles são importantes.

Linha tênue

Já acordou lá, o quarto estava escuro. Tentou se levantar, tentou sair dali, mas não conseguiu, parecia-lhe que estava presa. O quarto cheirava a sangue, ela sentia muita dor, na certa estava machucada. Mas quem teria feito isso com ela? A luz acende, a claridade é tanta que ela fica cega por instantes e não vê quem acendeu a tal luz. Ela grita, mas parece em vão. Ela está sozinha. Agora olha para si, talvez tivesse esquecido de fazer isso quado estava acompanhada. De repente, percebe que está presa, amarrada pelas cordas da cautela e da vontade de arriscar. Ela não sabe como se soltar, então usa a força, mas logo percebe que está se machucando mais. Vendo que será em vão, ela para, tenta pensar em algo. Analisa o melhor jeito de ir desamarrando, de sair devagar, mas sair dali. Nada parece fazer sentido, os entrelaços das cordas estão estranhos. Talvez ela precise chamar quem a amarrou para que a solte dali. São muitas perguntas e nenhuma resposta. Lhe parece que ela está de volta ao começo, quando a luz ainda estava apagada e a única coisa que ela sabia era que estava presa. Ela pensa em chamar alguém, mas no fundo sabe que ninguém conseguiria deslaçar aqueles nos, e que só quem a amarrou poderia tira-la dali. Subitamente, ela percebe que há um espelho no chão. Olha pra ele, olha pra si. Todos aqueles machucados, aquelas cordas. De repente ela percebe que pode se levantar, pois suas pernas não estão amarradas. Em pé, ela corre. Abre a porta e dá de cara com o medo, logo percebe que foi ele quem a amarrou. Agora ela precisa convence-lo a solta-la. Mas como? Ela se pergunta.

Foi quando ela acordou, deitada em sua cama , com os velhos moveis, os velhos enfeites e seu pijama. Ficou feliz por ter sido apenas um sonho, mas precisava levantar, pois já estava tarde e já tinham passadas muitas horas. Lá se foi ela.

inspirando o momento

desviou o olhar
teve medo de cair em um abismo dentro dele
as mãos trêmulas minaram segredos
respirou ofegante
queria inspirar aquele momento
tentou lhe dizer
mas a garganta engasgou com o sentimento
saiu com passos desajeitados
de quem queria ir por um caminho
mas achou conveniente ir por outro
lhe perdeu na primeira esquina
lhe encontra todas as noites
mas perde pela manhã
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