sou um entardecer de sol
me pondo me pondo
sou o céu vermelho
que o balanço das águas da lagoa refletem
como o meu coração
que dança dentro do meu corpo
as pessoas na beira da lagoa
refletem os olhos dos peixes que já morreram
a noite inexisto
como a casa na beira da lagoa
a casa sem cômodos
agora nada em mim é cômodo
volta e meia surge uma estrela no céu
e faz brilhar os olhos sofridos da menina na beira da lagoa
a menina que carrega dentro de si um feto
a menina que é um feto
sou agora o nascer do sol
nascendo nascendo
todos os dias
delirio vital
delira-te a vida
arde em paixões febris
inspira sentimentos
traga dor
sopra zelo
embebeda-se de prazer
sorve-se em medo
como queres calma
se teu chão é o céu?
como queres certezas
se vives de sonhos?
como queres estabilidade
se o mundo gira?
a realidade é meu sono
acordo refugiada
no fundo só tenho a ti
só tenho a ti, espelho
as silhuetas namoram
eu sou amante da vida
vou entre os arbustos
colho flores
procuro-te
felicidade aonde estás?
felicidade aonde estás?
felicidade aonde estás?
escuto o eco pelo mundo
Meu coração se espalhou pelo meu sangue e ocupou todo meu corpo, como um andarilho que carrega na mochila todas as culturas do mundo.
arde em paixões febris
inspira sentimentos
traga dor
sopra zelo
embebeda-se de prazer
sorve-se em medo
como queres calma
se teu chão é o céu?
como queres certezas
se vives de sonhos?
como queres estabilidade
se o mundo gira?
a realidade é meu sono
acordo refugiada
no fundo só tenho a ti
só tenho a ti, espelho
as silhuetas namoram
eu sou amante da vida
vou entre os arbustos
colho flores
procuro-te
felicidade aonde estás?
felicidade aonde estás?
felicidade aonde estás?
escuto o eco pelo mundo
Meu coração se espalhou pelo meu sangue e ocupou todo meu corpo, como um andarilho que carrega na mochila todas as culturas do mundo.
sala de espelhos
O suor da minha alma embaça as várias faces de mim.
Espelhos refletem o vazio da minha insônia solitária.
Era o entrelaço de nossas ternuras que eu procurava naquela nudez.
Os livros não escrevem a chuva ácida da mulher que chora naquela poltrona escura.
O quadro nem chega perto de pintar o velho cheio de dentes na boca.
A luz corta a minha carne e corroe os meus ossos.
Os arbustos inspiram minhas viceras mortas.
Eu encontro o passado cheio de roupas.
Meus ombros negam-se a usar vestimentas.
Os meus olhos traduzem o assasinato de minha dor.
Meus braços setenciam o fim do meu calor.
Arranco o espelho e me torno parte dele.
Qualquer aproximação reflete o que me trouxeres.
Não me espere para o jantar.
Tem 14 passos querendo sair de dentro de mim.
Enquanto os pássaros procuram a janela dos meus pulmões,
minhas traqueias gritam o recomeço.
Espelhos refletem o vazio da minha insônia solitária.
Era o entrelaço de nossas ternuras que eu procurava naquela nudez.
Os livros não escrevem a chuva ácida da mulher que chora naquela poltrona escura.
O quadro nem chega perto de pintar o velho cheio de dentes na boca.
A luz corta a minha carne e corroe os meus ossos.
Os arbustos inspiram minhas viceras mortas.
Eu encontro o passado cheio de roupas.
Meus ombros negam-se a usar vestimentas.
Os meus olhos traduzem o assasinato de minha dor.
Meus braços setenciam o fim do meu calor.
Arranco o espelho e me torno parte dele.
Qualquer aproximação reflete o que me trouxeres.
Não me espere para o jantar.
Tem 14 passos querendo sair de dentro de mim.
Enquanto os pássaros procuram a janela dos meus pulmões,
minhas traqueias gritam o recomeço.
meu primeiro amor.
Descobri o amor aos 5 anos de idade. Foi quando eu vi aquele menino loirinho, de olhos grandes e que me sorria timidamente. Ainda lembro da sensação que eu tinha ao vê-lo, uma vergonha completamente inocente, eu num sabia de que, mas tinha muita vergonha dele. Acho que nunca tinhamos nos falado, mas trocavamos olhares e sorrisos. Com o passar do tempo, Samuel, meu melhor amigo e também o melhor amigo dele, me contou que o menino loirinho me amava. Eu disse que também o amava e que agora eramos namorados. Nunca nos tocamos, mas eramos muito felizes. Naquele dia, achei que me casaria com o menino loirinho. Afinal de contas nosso amor era pra sempre. Todos na sala sabiam do nosso amor. Passei o 2º e 3º período namorando ele. Quando fomos para a primeira série o destino nos separou. Ele ia estudar pela manhã e eu a tarde. Quando descobri que não seriamos da mesma sala, chorei muito. Aos 7 anos tive minha primeira desilusão amorosa. Mas o mais engraçado é que nosso "para sempre" durou mais um pouco. O menino loirinho começou a me escrever cartas e me pediu que eu não o esquecesse mesmo que estivessemos longe. Começamos a nos comunicar por cartas, era doloroso não vê-lo mais. Mas ainda eramos namorados e ainda seria para sempre. Tia Sônia, nossa professora, intermediava o contato. Lembro-me dela me entregando as cartinhas com um olhar meio triste, acho que ela sentia pena daquilo tudo. Eu e ele eramos precoces e escreviamos muito bem naquela época. Tia Sônia se envolveu conosco, cheguei a frequentar a casa dela. Aos 7 anos eu sentia o peso de um amor a distância e sofria, sofria. O tempo foi passando, as cartas foram ficando escassas, tive outros amores e ele, com certeza, também teve. Minha promessa de criança eu nunca quebrei, pois não o esqueci. Ali, eu aprendi que o para sempre, não é para sempre e que o amor é bonito, poético, doce, mas as vezes dói. Acho que ainda sou a menina de 5 anos que ama e escreve cartinhas, que acha que o para sempre existe e sonha em ser feliz, só com o sorriso timido de outrém. Ainda me lembro das cartinhas e do coração sublinhado forte de vermelho e colorido fraquinho por dentro, no fim aquela letrinha desenhada, sacrificada "ass: Victor Hugo".
memorial
Eu espero que na velhice você se lembre de segurar a minha mão ao descer do ônibus.
Espero que você não enjooe de acordar ao meu lado.
Que se lembre de me dar um abraço ao chegar cansado do trabalho, mesmo tendo acordado comigo.
Por vezes esquecido, quero que me conte das noites em que me deixastes sozinha para se aquecer nos braços de outrém, porque por algum motivo você se sentiu sozinho e vazio.
Quero ver alegria e me sentir bem por estar com você como nos velhos tempos.
Quero sentir que os ponteiros dos relógios estão girando rapido demais uando eu estiver ao seu lado, como na primeira vez em que nos vimos.
Espero que você se lembre de me cobrir com o edredon nas noites frias, quando eu me descobrir de tanto me mexer.
Quando minha pele já não for mais a mesma, eu ainda vou esperar suas que suas mãos contem nossos anos juntos nas minhas rugas.
Quando eu estiver caducando na velha cadeira de balanço, lembre-se de me aceitar, afinal eu sempre fui meio caduca mesmo.
Na minha morte, não chore, lembre-se que o fim de alguma coisa é o recomeço de outra, que geralmente é muito melhor.
Agora vamos embora, porque o tempo não espera a gente e a vida é muito curta pra ficarmos esperando todos os semaforos fecharem, feito japonês.
Vamos continuar com os velhos drinks, ainda somos jovens e podemos morrer jovens.
Então viva cada dia como se fossemos envelhecer rápido demais.
Espero que você não enjooe de acordar ao meu lado.
Que se lembre de me dar um abraço ao chegar cansado do trabalho, mesmo tendo acordado comigo.
Por vezes esquecido, quero que me conte das noites em que me deixastes sozinha para se aquecer nos braços de outrém, porque por algum motivo você se sentiu sozinho e vazio.
Quero ver alegria e me sentir bem por estar com você como nos velhos tempos.
Quero sentir que os ponteiros dos relógios estão girando rapido demais uando eu estiver ao seu lado, como na primeira vez em que nos vimos.
Espero que você se lembre de me cobrir com o edredon nas noites frias, quando eu me descobrir de tanto me mexer.
Quando minha pele já não for mais a mesma, eu ainda vou esperar suas que suas mãos contem nossos anos juntos nas minhas rugas.
Quando eu estiver caducando na velha cadeira de balanço, lembre-se de me aceitar, afinal eu sempre fui meio caduca mesmo.
Na minha morte, não chore, lembre-se que o fim de alguma coisa é o recomeço de outra, que geralmente é muito melhor.
Agora vamos embora, porque o tempo não espera a gente e a vida é muito curta pra ficarmos esperando todos os semaforos fecharem, feito japonês.
Vamos continuar com os velhos drinks, ainda somos jovens e podemos morrer jovens.
Então viva cada dia como se fossemos envelhecer rápido demais.
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