Com açucar, com afeto e com fim.


-Um café por favor
-Grande ou pequeno?
-Médio.
-Com açucar ou sem açucar?
-Com bastante açucar por favor.

Moça, você vai levar esse livro? Te adianto que nos primeiros capítulos será tudo normal, mas ao longo do tempo você vai começar a sentir uma afeição por ele e vai começar a querer lê-lo cada vez mais e mais. Um dia você vai ler um capítulo que a fará esquecer de tudo, do céu, da terra, das pessoas a sua volta e do mundo. Você ficará cega e louca para adquirir o livro. Ao longo dos capitulos o livro lhe começa a parecer desinteressante e por mais que você fique relendo o capítulo empolgante o fim não será como esse capítulo. Por força maior você terá que lê-lo até o final. Pode fecha-lo. Acabou. Esquece o mundo paralelo que você criou o autor do livro só o escreveu em um capítulo.

- Está doce o suficiente?
- Não. Está um pouco amargo, mas pode deixar assim.
- Sabe moço, as vezes as coisas acabam antes dos nossos sonhos.
- De que você está falando moça?
- Do fim.
- Fim do que?
- Fim do que nunca começamos.
- Como pode?
- Um episódio pode iniciar algo que nunca exista, e um dia acaba.
- Mas porque nunca existiu?
- Alguém teve medo, alguém sempre tem medo.
- Sei.
- E hora de eu ir embora também, sentido o estranho sentimento de perda.
- Perdeu o que?
- As esperanças. Quanto é o café?
- Tá ai na notinha.
- Um alto preço.
- É assim, você não quis tomar o café?
- Tem razão. Adeus ou talvez até mais. Obrigado pelo café com prosa.
- Seu troco.
- Pode ficar só vou guardar com esmero essa conversa, não vou levar mais nada daqui.



O cobertor.


Sempre gostei de frio. Os abraços são mais fofinhos e aconchegantes. As pessoas de blusa de moleton, cachecol, calça cumprida, luvas, pessoas se auto apertando, gosto de tudo isso. É mais confortável para ver filme e eu posso passar o dia todo de meia. Aliás as meias, acho elas uma delicinha, brancas, amarelas cheguei, pretas básica, coloridas, listradas, novas, velhas, adoro usa-las. Ah!! As meias.
E tem mais uma coisa que tanto gosto no frio: meus cobertores. Hum!! Como eles são aconchegantes e macios. Eu ainda tenho meu primeiro cobertozinho, tenho ainda? Acho que sim. Ele é azul, curtinho e com as bordas brancas, mas hoje cresci (ao menos um pouco) e é meu edredon que me acompanha. No frio é a oportunidade perfeita para me encher deles. Colocar meus cobertores e senti-los quase como um abraço. Em segundos o frio se transforma em um calor não muito grande, mas exato e gostoso. Tem sido assim esses dias, se muitas vezes falta calor humano nessa vida corrida, sobra cobertor nas minhas noites solitárias.

A bicicleta


As vezes queremos tanto alguma coisa que ficamos cegos com o resto do mundo. Quando não conseguimos o que almejamos, sentimos uma decepção enorme. Sabe aquele papo de que se você lutar você consegue? Acho que é isso que mais nos frusta. Ficamos pensando que não lutamos o suficiente. Mas não vejo isso bem assim. Porque tem coisas na vida que mesmo se lutarmos muito não vamos conseguir.
Quando penso nisso, lembro-me de um episódio da minha infância. Fui com a escola para uma Transitolândia(acho que era esse nome), chegando lá tinham várias bicicletas e uma pista de carros com sinal de trânsito, placas de pare, faixa de pedestres, etc. Eu, que sempre tive essa estatura nada avantajada, não "dava pé" nas bicicletas. Mas adorava andar de bicicleta, por isso quis subir nela mesmo assim. Lembro que a professora me aconselhou a não subir, mas eu cismei que queria andar nela. Então subi, e como não alcaçava o banco tive que sentar no quadro. No começo estava tudo bem, até que veio um morro e eu resolvi enfretar o desafio de descê-lo. No meio da descida perdi o pedal, e fui vendo céu e chão em alguns instantes. Era como estar bebada e tudo girar rapidamente. Meus braços e minhas pernas começaram a doer. Sangrou bastante, as professoras correram para me socorrer, mas criança acostumada a cair, eu nem chorei, na verdade nem liguei, só fiquei triste porque não podia andar na tal bicicleta de novo.
Recorro a esse episódio para pensar que muitas vezes não somos "grandes" o suficiente para subir em algumas bicicletas. Se fosse hoje eu alcançaria o pedal tranquilamente, mas na época aquela bicicleta não era para mim eu precisava crescer mais. Precisava andar primeiro em bicicletas menores que se adequavam a meu tamanho para depois subir em uma grande. Por maior que fosse minha vontade de pedalar a "magrela" eu não ia conseguir, pois ela era muito grande para mim.
Hoje minha vida, muitas vezes precoce para mim, me coloca diante de uma bicicleta que meus pés não alcançam. E quando não consigo pedala-la me decepciono. Mas depois reflito que eu preciso amadurecer mais, que talvez aquela bicicleta não seja para mim naquele momento. Preciso crecer e amadurecer e se eu tentar e cair. Não importa que sangre, devo me levantar, porque cresci acustumada a cair. Essa história da bicicleta é uma calma para meu coração.

Fim do encantamento


Eu ainda guardo a frase de uma amiga “o encantamento é a mola propulsora”. De verdade, é mesmo. Encanto-me facilmente por algo ou alguém e me desencanto facilmente também. Quando estou encantada crio um universo em torno do algo ou alguém. Tanto que chego a arrepiar, a ter pressa de viver. É extremamente intenso. Mas um dia olho para esse encantamento e não encontro mais sentido. Acho o alguém ou o algo bobo. Aliás, acho tudo que vivi em torno desse encantamento totalmente bobo. Sinto até certa vergonha interna. Fico olhando para o encantamento com o mesmo olhar de quem derrubou um leite no chão.

É como comer uma barra de chocolate. No começo é maravilhoso, no meio fico completamente envolvida e fico querendo guardar para mais tarde. Mas uma hora chega ao fim. Nesse momento bebo um copo d’água, para tirar o gosto doce da boca, e continuo minha vida medíocre como se nunca tivesse comido o tal chocolate. Quando o vejo novamente já não sinto vontade de comê-lo. Acho que procuro outras opções na padaria. Raramente como de novo o chocolate. Às vezes tenho uma sensação de perda, assim como tenho de qualquer coisa que passa em minha vida. O medo dessa sensação dificulta o fim do encantamento. Mas vejo esse desencanto como algo positivo. É preciso desapegar, a vida é rotativa. E eu vou aguardar o próximo encantamento já que um chegou ao fim.

"Você não sabe o que aconteceu."

Hoje estava naveguando (seria mesmo navegando, porque não andando?) pela internet procurando mais músicas do Tom Zé. De repente, vasculhando o myspace, encontro a música Tom Zé é pai. Não que o título não tenha me parecido interessante, mas de fato não era que o que eu procurava. Vasculho mais um pouco e nada do que eu queria. Metade preguiça, metade vontade de ouvir música, resolvo ouvir a tal música mesmo. Vejo que a banda se chama 1/2 dúzia de 3 ou 4. Intrigante e engraçado o nome, penso. Começo a ouvir todas as músicas e em um segundo já não estou mais de frente para o computador, sentada em minha cadeira. Começo a viajar com a trilha sonora da música Fique Sabendo. Sinto-me de frente para um circo, com muitas cores, alegria e até alguns brinquedos cômicos. O ritmo me lembra infância, teatro e a letra é engraçada. Gosto de conhecer novas sonoridades. Isso REALMENTE me deixa feliz. Sempre usei a música para extravasar ou para me acalmar. E agora a canção foi um acalanto para o meu coração já meio cansado de bater. Sinto enorme paz interior. Me senti no dever de compartilhar esse descoberta com mais pessoas. Como será difícil descrever a sonoridade deixo aqui o site dos músicos e o video com a música da banda. A letra da música é hilaria êêê.

Site da Banda: 1/2 dúzia de 3 ou 4

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