A Rosa Púrpura do Cairo

Posso afirmar aqui sem nenhum medo que "A Rosa Púrpura do Cairo" é um dos melhores filmes que eu não vi. Quando o Woody Allen escreveu essa peróla eu nem era nascida, mas se você quer saber eu bem que poderia ser a solitária Cecília viciada em filmes, embora tenha pouco jeito para garçonete. Naquele ano de 1985 a grande depressão assolava os Estados Unidos, hoje outras depressões assolam o mundo todo. De fato, as coisas mudaram, mas acho que alguns comportamentos permanecem intactos, aqueles ligados ao nosso subconsciente, aos sentimentos.
Engraçado como quem vê muitos filmes de repente se vê preso entre o real e o mundo fictício. Sempre achamos que a vida nos filmes é tão melhor que o mundo real. É nessa hora que o nosso diretor, hoje já velinho, calvo e com os mesmos óculos arredondados, nos surpreende. O personagem sai da tela em plena exibição e vai falar com Cecília. Dentre as frases inesquecíveis que ele diz, tem uma da qual me lembro sempre "estou preso na mesma história há anos". De repente parece que o mundo real é cheio de possibilidades e que os atores de cinema estão presos dentro da tela.
Mas sabe que as vezes eu também penso que estou presa dentro de alguns rolos e que só posso entrar em determinadas cenas. A gente deseja tanto que nossa vida comece com barrinhas coloridas e termine lindamente com o Fred Austari e Ginger Rogers dançando. A vida muda, passa, mas as pessoas tem sempre esse desejo no fundo do coração de final feliz e de um tal amor louco. Afinal de contas quem nunca sentiu uma vontade doida de que o personagem saisse da tela e sentasse ao seu lado? Quem nunca quis viver uma louca história de amor com um personagem de filme?
Aliás a saida do personagem da tela é uma das coisas mais geniais do filme, e o que mais gosto, a metalinguagem. Quando disse no início deste texto que "A Rosa Púrpura do Cairo" era o melhor filme que eu não vi, eu tava dizendo a verdade e mentindo. É que o filme exibido dentro do longa do Woody Allen não é mostrado por completo e como é um filme dentro do outro e com o mesmo nome só épossível assistir um e dai surge a brincadeira. Eu disse que num tinha assistido "A Rosa Purpúra do Cairo" só não disse qual deles.
O filme ganhou o oscar de melhor roteiro original em 1985 e se querem saber foi mais que merecido. Sabe que eu fiquei imaginando o nosso diretor sentado em uma cadeira com seu cigarrinho para da um charme e de repente alguém chega e lhe diz que queria estar num filme e ele pensa em escrever esse roteiro e como num poderia ser diferente, nos matar de rir com as confusões que o ator vive no mundo real e que Cecília vive no mundo fictício. Aliás qual é o mundo real e qual é o fictício?


2 comentários:

Marcos Medeiros Raimundo disse...

Achei incrível a fluidez da analise do filme. Sem contar a sensibilidade simples de um espectador apaixonado por cinema.

Gostei bastante

beto disse...

legal demais!

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