lágrima no bolso

a garoa lá fora é a mesma meu bem
a gente aqui dentro é que mudou
a garoa lá fora tem a mesma finura
a mesma finura das nossas lágrimas

nossos corpos nús jogados no chão
vesti tuas roupas
bata a porta
não se despeça
eu odeio despedidas

guardei uma lágrima no teu bolso
vai se lembrar de mim quando o sol nascer
ah meu amor, eu prefiro a noite
eu prefiro a garoa fininha dos teus lábios

as gotas de chuva cairam, querido
nós também caimos
caimos nús na sala, entrelaçados
como as gotas de chuva unidas pela correnteza

quando o sol iluminar nossas nuances
você vai se perguntar se foi coragem
você vai se perguntar se foi covardia

eu vou continuar nua na sala
pensando que não foi coragem
não foi covardia
foram só dois corpos felizes por se entrelaçarem

e a minha lágrima no seu bolso
vai dizer que eu sinto saudade
e a minha lágrima no teu bolso
vai inundar que eu sempre sinto saudade







3 comentários:

João Killer disse...

Sabe quando você lê palavra por palavra e o ar vai ficando pouco, e você que ler a próxima e junta tudo e no final parece que nem consegue mais dá o último suspiro? Foi assim que me sentir ao ler esse texto. Fiquei sem ar e na ansiedade pela próxima palavra. É da mais pura e verdadeira demostração de sentimento a flor da pele, de um coração que pulsa dentro do peito em compasso acelerado ao dizer o que a alma ás vezes pede pro corpo. Bonito demais, foi um prazer ler esse texto.

G.C disse...

tem tantas e tantas coisas pra justificar outras muitas coisas... às vezes não é a denominação ou a falta de coragem, e sim o que só não deu pra ser.

cuidado com histórias não terminadas, moça... histórias que não tiveram fim não se despedem e reacendem, cedo ou tarde.

o poema é bonito!

beijo

Marcos Oliveira disse...

Muito bonito esse texto , tão feminino e inspirado
Tambem odeio despedidas..

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