A Janela do mundo


Quando eu era pequenininha ficava doida para ver o que tinha do outro lado da janela. Um dia, minha mãe me pegou pela mão e me levou até lá. Subi na cadeira para enxergar o que havia lá fora. Fiquei espantada com tanta coisa e minha mãe me disse: - minha filha, aquilo lá fora é o mundo, um dia você vai ter que passear por ele. Eu fiquei doida para conhecê-lo melhor. Desde então, cada dia eu ia saindo um pouquinho e voltava sempre com alguma dúvida. Minha mãe ia me explicando e dando orientações de como viver lá fora.

Me lembro da primeira vez que visitei o mundo, minhã mãe me deu uma mochila com blusa de frio, lanche e um telefone para eu ligar caso houvesse problema. Com o tempo, ela deixou de preparar o lanche e de me dar a blusa de frio. Tive que ir aprendendo a conseguir a minha comida e a me esquentar para não sentir frio. Passei por alguns momentos difíceis e antes mesmo que eu esperasse eu tive que passar mais tempo no mundo do que no aconchego de minha casa.

A mochila começou a ir vazia. Com o tempo, eu fui percebendo que só podia carregar a minha bagagem cultural. Tudo que eu aprendi dentro de casa e janela a fora eu ia carregar comigo e isso era tudo que eu poderia ter. A mochila anda cada dia mais cheia, as vezes desfaço de algumas coisas e coloco outras novas. As vezes dou de presente pra alguém, outras vezes, ganho presente. Minha mochila tá se modificando e sei que isso é tudo que tenho, é o que carrego comigo.

Hoje, por vezes, sinto vontade de fingir que não alcanço a janela, sento embaixo dela e me esqueço que o mundo lá fora existe. Dá saudade do tempo em que eu era pequeninha e não podia enxergar aquele monte de coisas. Dá saudade de quando eu levava o lanche e a blusa de frio na mochila. Por vezes só quero estar bem embaixo da janela.

Foto do site: http://almacollins.zip.net/arch2007-05-20_2007-05-26.html

4 comentários:

ana sandim disse...

Acho que neste texto só esqueceram de lhe avisar que quando saimos para o mundo lá do outro lado da janela, levamos uma boa carga, mas quando voltamos trazemos uma ainda maior. Ninguém disse que seria fácil. E hoje o que desejamos e o não olhar para fora. Mas seria certo ou justo com aqueles que nos ensinaram como viver lá fora, dizer que desistimos e não queremos mais sair ali em baixo da janela onde nada nos afeta?

Marco Túlio disse...

Parabéns pelo blog! Comecei lendo esse post e viajei por alguns outros. Você escreve muito bem, e tem um tato sensacional pra coisa. ;)

Débora disse...

"Por vezes só quero estar bem embaixo da janela."
às vezes a gente fica mesmo embaixo da janela.
Dá muito medo de olhar lá fora. Mais medo ainda de abrir a porta ou pular a janela pra respirar o ar lá de fora. E viver a vida lá de fora.
Mas uma vez eu conheci uma menina que numa tarde de um dia qualquer depois do trabalho,me mostrou a força que tem. Ela foi me contando um monte de coisas e eu fui me orgulhando de ter a conhecido. E mais: fui me orgulhando de tê-la ao meu lado, como minha amiga. E acho que você sabe quem ela é.

Gostei muito desse texto seu.
É preciso sair, abrir a janela, abrir as portas, abrir o coração e viver!
Não há outra alternativa...
mas de vez enquando é bom ficar quieta. O silêncio costuma ter muito o que dizer...

Juliane Schlosser disse...

Net, vc é a coisa mais fofa pra escrever! Parabéns viu =)

E imagino vc mini embaixo da janela. E quando vc quiser, eu preparo um lanche ou empresto um moletom.

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