Linha tênue

Já acordou lá, o quarto estava escuro. Tentou se levantar, tentou sair dali, mas não conseguiu, parecia-lhe que estava presa. O quarto cheirava a sangue, ela sentia muita dor, na certa estava machucada. Mas quem teria feito isso com ela? A luz acende, a claridade é tanta que ela fica cega por instantes e não vê quem acendeu a tal luz. Ela grita, mas parece em vão. Ela está sozinha. Agora olha para si, talvez tivesse esquecido de fazer isso quado estava acompanhada. De repente, percebe que está presa, amarrada pelas cordas da cautela e da vontade de arriscar. Ela não sabe como se soltar, então usa a força, mas logo percebe que está se machucando mais. Vendo que será em vão, ela para, tenta pensar em algo. Analisa o melhor jeito de ir desamarrando, de sair devagar, mas sair dali. Nada parece fazer sentido, os entrelaços das cordas estão estranhos. Talvez ela precise chamar quem a amarrou para que a solte dali. São muitas perguntas e nenhuma resposta. Lhe parece que ela está de volta ao começo, quando a luz ainda estava apagada e a única coisa que ela sabia era que estava presa. Ela pensa em chamar alguém, mas no fundo sabe que ninguém conseguiria deslaçar aqueles nos, e que só quem a amarrou poderia tira-la dali. Subitamente, ela percebe que há um espelho no chão. Olha pra ele, olha pra si. Todos aqueles machucados, aquelas cordas. De repente ela percebe que pode se levantar, pois suas pernas não estão amarradas. Em pé, ela corre. Abre a porta e dá de cara com o medo, logo percebe que foi ele quem a amarrou. Agora ela precisa convence-lo a solta-la. Mas como? Ela se pergunta.

Foi quando ela acordou, deitada em sua cama , com os velhos moveis, os velhos enfeites e seu pijama. Ficou feliz por ter sido apenas um sonho, mas precisava levantar, pois já estava tarde e já tinham passadas muitas horas. Lá se foi ela.

5 comentários:

ana sandim disse...

"De repente, percebe que está presa, amarrada pelas cordas da cautela e da vontade de arriscar"
acho que você descreveu o que acontece com muitas pessoas.
Acordou de um sonho... nesta hora deve desarmar o medo e lutar pelo que deseja..

gostei, mas a principio senti um aperto no coração

G.C disse...

acho que a gente se deixa ter algumas amarras na vida. aí, às vezes, o nosso quarto interno parece menor e ter menos possibilidades. esse nosso íntimo, por mais velho que nos pareça, é sempre o lugar que vai buscar uma saída.

seu coração... deixe-o descansar um pouco mais

G.C disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Débora disse...

ah o medo! a gente tem sempre, a todo instante, em diversas situações.
e quanto mais nos deixamos sentí-lo, mas presos a ele ficamos.
o dificil é livrar dele.
mas dizem, que existe por dentro, uma tal de voz do coração, que diz sempre o que é melhor a se fazer.

deveriamos ouví-la mais vezes... ou ao menos, deixá-la falar mais vezes...

João Killer disse...

Talvez ainda esteja amarrada na vida real, a única diferença que as cordas são um pouco maior, mas podem ficar curtas a qualquer momento. Acredito que a melhor forma de resolver isso é fazendo um acordo com o medo, pois ele sempre estará presente.

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