Vida Desnuda

Para os loucos de amor e para os amores loucos...

a vida vem desnuda, meu bem
venha, vamos vesti-la com nossos sonhos
dia a dia
vamos despi-la
sob uma luz forte
ver seus tênues traços
ou quem sabe despi-la no escuro
cegados pelas paixões repentinas
esperando uma fresta de luz qualquer pairar sob teus olhos
para eu me ver refletida dentro das suas pupilas
num súbito momento de encamento
como os filmes em preto e branco
onde não haviam cores para desviar a atenção
as coisas pareciam não estar preenchidas
eram apenas traços
como os atores mudos
interpretando sentimentos
sentimentos perdidos
feito um barco de papel em alto mar
nos desfazendo
sendo levados pela maré da vida
perdidos numa imensidão azul
onde o céu e o mar se confundem
e nos assustamos por descobrir que o mundo não tem fim
navegamos as tontas
girando,
como os ponteiros do relógio
e aquela água que nos banhou não passa mais
agora só guardo comigo o doce encantamento
o barquinho sumindo no horizonte
aquele pequeno momento que me deixou as tontas
procurando um fim
mas percebi que os ponteiros te levaram
e agora é tarde demais para eu ser reprovada

4 comentários:

João Killer disse...

O que um dia a maré levou ela devolve. É tudo questão de tempo.

Marcos Oliveira disse...

Não sei mas achei tão musical esse poema, uma melodia que me fez segui-lo até o final,..e sempre bom te ler...

Camila Sol disse...

cegados pelas paixões repentinas[...] e nos assustamos por descobrir que o mundo não tem fim[...]agora só guardo comigo o doce encantamento...

Acho que não tenho muito o que comentar, mas voce me entendeu...rs

Lindo texto!!! Bjuh

Guilherme Côrtes disse...

é, Nat... talvez o mundo não seja pequeno, visto o tanto que cabe dentro da gente.

é bom sentir as coisas com a intensidade, fica mais fácil quando tem água pra limpar a alma... pra limpar a sujeira que nos proporcionamos dos olhos, a ponto de ver o outro.

muito bonito!

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