auto conhecimento

era eu despindo minha própria pele
revirando-me pelo avesso
estraçalhada entre o chão e a terra
meu coração ainda pulsa
os pulmões morrem aspirando o que eu nunca quis
minutos antes eu queria um cigarro
era pra queimar o resto de minha pleura
aquela parte mais sensível do meu corpo
minhas viceras disputavam um tênue espaço com meu coração
no canto, meus olhos se assustam por não conhecer aquelas partes de mim
minha garganta ficou sem nada pra dizer
destrui-me por não saber o que a anatomia faria de mim
morri ali, na rua rua do presente, quase esquina com o futuro
ah! como foi doce o chá que tomei no bar do passado

2 comentários:

Marcos Oliveira disse...

Piração ...e um belo exemplo de auto-conhecimento anatomico..
Visceral com visceras e tudo!
Acho que o Leminski escreveria um poema assim!

Marcos Medeiros Raimundo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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