Dois Corpos

O silêncio reinava absoluto
Ainda que houvessem dois corpos ali
Corpos com movimentos perdidos
Intactos entre si

O silêncio incomodava
Não era falta do que dizer
Era excesso de palavras
Amedontrava-lhes pecar
Pecavam pelo medo
O silêncio tornava-se obsoleto

Olhos perdidos
Ouvidos aflitos
Mãos euforicas
Pernas inquietas
Continuam a andar
Sentem, mentem

Lado a lado
Separados por um muro
Não de concreto
Mas concreto

O silêncio continua a incomodar
Pensa ela em um jeito de quebrar
Enquanto ele sorri
Pensa ela no que ele está a pensar

Pensa ela em embriguez
Ao menos uma vez
Embriagar-se de palavras por um minuto
Não ter nada a dizer
Dizer muito

Passam-se dois minutos
Parace-lhes ter andando muito
Parece- lhes não ter andado nada
Passam suas almas
Intactas
Terminam com uma palavra
Adeus!


Ah, Deus!

4 comentários:

G.C disse...

''Lado a lado
Separados por um muro
Não de concreto
Mas concreto''

isso que você escreveu é muito bacana. pq o real aproxima do não real, que são os nossos sentimentos, enquanto subjetivos, né?

torço para que uma palavra encontre o seu encaixe, de maneira arrebatadora entre os dois.

Marcos Oliveira disse...

esse seu poema tem uma cadência quase... sexual o que nos leva a pensar diversas coisa .mas no decorrer do poema vemos que ele fala mais das distancias entre as pessoas que suas aproximações..."Certas coisas só a poesia pode dizer"(Natalia Oliveira)

Débora disse...

gostei do poema todo, mas me chamou atenção esse fim:
"Passam-se dois minutos
Parace-lhes ter andando muito
Parece- lhes não ter andado nada
Passam suas almas
Intactas
Terminam com uma palavra
Adeus!"

eu não sei porque. só entendo que ele tem tanta cara de fim que me deu até um alivio.
confuso né.
eu sei... rs

Márcio Jr. Lacerda disse...

Legal!
Parabéns!

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