Crossdreams

a noite é fria, a madrugada pior
volta e meia bate um ventinho cá dentro
mas há sempre como esquentar
mesmo que o sol não venha
e há dias em que o céu fica tão bonito
coisa das cores lembrarem Almodovar
é um azul meio roxo, um rosa vermelho
e as nuvens permanecem sem rumo
dançando
vão se formando, passando se desfazendo
quase como a vida, quase como a gente

há sempre um banco branco dentro da gente
daqueles antigos que causam uma certa nostalgia
há sempre um velhinho com boas histórias
e uns meninos jogando bola

a luz do sol ilumina a confusão diária
quando anoitece a brisa sopra dentro do meu coração
e me faz deitar no silêcio dos bancos brancos
aquele cheiro de flores
adormeço inocentemente
noutro dia o sol me acorda
vou embora
mas deixo os meus sonhos no banco
noutra noite, alguém há de sonha-los
ah, como eu gosto da noite.

2 comentários:

Samarone Barcellos disse...

É meninas de muitas patas, muito bonito o que vc escreveu. Vou te confessar que ando precisando roubar alguns sonhos bons das pessoas. Ando me sentindo como esse seu poema.

Não tenho tantas pernas como vc, mas espero ir mais além com as duas que estão ligadas ao meu tronco. =]

Ps. Tente continuar ainda, longe da àgua ardente. =]

Marcos Oliveira disse...

Acho que as praças realmente vivem em nós mesmos e todos os lugares que parecem uma zona segura...Lindo poema!!

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