meu primeiro amor.

Descobri o amor aos 5 anos de idade. Foi quando eu vi aquele menino loirinho, de olhos grandes e que me sorria timidamente. Ainda lembro da sensação que eu tinha ao vê-lo, uma vergonha completamente inocente, eu num sabia de que, mas tinha muita vergonha dele. Acho que nunca tinhamos nos falado, mas trocavamos olhares e sorrisos. Com o passar do tempo, Samuel, meu melhor amigo e também o melhor amigo dele, me contou que o menino loirinho me amava. Eu disse que também o amava e que agora eramos namorados. Nunca nos tocamos, mas eramos muito felizes. Naquele dia, achei que me casaria com o menino loirinho. Afinal de contas nosso amor era pra sempre. Todos na sala sabiam do nosso amor. Passei o 2º e 3º período namorando ele. Quando fomos para a primeira série o destino nos separou. Ele ia estudar pela manhã e eu a tarde. Quando descobri que não seriamos da mesma sala, chorei muito. Aos 7 anos tive minha primeira desilusão amorosa. Mas o mais engraçado é que nosso "para sempre" durou mais um pouco. O menino loirinho começou a me escrever cartas e me pediu que eu não o esquecesse mesmo que estivessemos longe. Começamos a nos comunicar por cartas, era doloroso não vê-lo mais. Mas ainda eramos namorados e ainda seria para sempre. Tia Sônia, nossa professora, intermediava o contato. Lembro-me dela me entregando as cartinhas com um olhar meio triste, acho que ela sentia pena daquilo tudo. Eu e ele eramos precoces e escreviamos muito bem naquela época. Tia Sônia se envolveu conosco, cheguei a frequentar a casa dela. Aos 7 anos eu sentia o peso de um amor a distância e sofria, sofria. O tempo foi passando, as cartas foram ficando escassas, tive outros amores e ele, com certeza, também teve. Minha promessa de criança eu nunca quebrei, pois não o esqueci. Ali, eu aprendi que o para sempre, não é para sempre e que o amor é bonito, poético, doce, mas as vezes dói. Acho que ainda sou a menina de 5 anos que ama e escreve cartinhas, que acha que o para sempre existe e sonha em ser feliz, só com o sorriso timido de outrém. Ainda me lembro das cartinhas e do coração sublinhado forte de vermelho e colorido fraquinho por dentro, no fim aquela letrinha desenhada, sacrificada "ass: Victor Hugo".

4 comentários:

ana sandim disse...

tão meigo, acho que só entendemos de amor ou acreditamos na existencia dele quando ainda somos jovens e precoces.

Belo texto.
bom ler você cuide-se

Samarone Barcellos disse...

Ahhh como é bom ler coisas assim. Ainda mais quando o seu primeiro amor tinha o nome de Victor Hugo. =] Vc tinha quer ter as cartinhas né?

Quase disse...

Um salve para a Tia Sônia!!! #adorei

G.C disse...

ar de infância...

as coisas são simples quando a gente tem 5 anos, ou 7. afinal, só se quer o outro por perto, não tem maiores complexidades e isso deveria ser o ideal de quando estamos nos 20.

bom conhecer mais essa parte da sua vida, querida. e bom reencontrar a sutileza tão peculiar do seu texto nesse daqui.

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