Clarisse e o Dente de Leão.


Clarisse saiu atrasada de casa e seguiu para mais um dia de trabalho. No caminho seus pés se dividiam entre a urbanização e a natureza. Na calçada, metade cimentada e metade não, algo inusitado chamou a atenção da menina. Era uma dessas florzinhas brancas que na infância Clarisse gostava de soprar e ver voar seus "algoodõezinhos", ainda gosta. Ela sabia que o nome da flor era Dente de Leão, mas preferiu chama-la de sobrevivente, pois era a única em meio a um monte de grama. Clarisse ficou impressionada com a cena. Seu olhar atento se intrigava com aquela situação, pois a flor era praticamente uma intrusa em meio aquele verde. Com um espirito ainda infantil a menina pensa em se aproximar e soprar a florzinha. Com uma insegurança estranha chega bem pertinho do Dente de Leão e um forte vento espalha os "algoodõezinhos" brancos por toda parte. Clarisse fica assustada e encantada com aquele acontecimento. De repente, todo aquele verde se contaminou com o branco da flor que mesmo sozinha mostrou a grama que podia deixar um pouco de sua individualidade ali. Uma cena tão simples fez com que a garota pensasse em toda a complexidade de sua vida. Logo, lembrou-se de uma ex-professora, a menina sempre admirou essa profissão, e pensou nela como a florzinha que se mostrava sempre sozinha tentando deixar um pouco de si em todo verde. Essa foi uma das coisas mais preciosas que Clarisse aprendeu com ela, a menina, que se sentia uma intrusa no mundo, as vezes não entendia porque tudo era tão verde e ela tinha uma pontinha branca. Porém aprendeu que com um pouco de vento podia deixar um pouco de si na grama. A grama jamais seria um Dente de leão, mas poderia sentir um pouco daqueles sensíveis e macios "algoodõezinhos." Clarisse pensou naquilo o dia todo e antes de dormir, desligou seu abajour e ficou pensando em um jeito de plantar flores em meio a grama ou pelo menos de deixar algumas pétolas colorirem aquele verde dominante.


5 comentários:

João Killer disse...

Belíssimo texto! Tudo que espero na minha passagem pela terra, é que eu consiga deixar algo de bom nesse mundo dominado pela faltade bondade. Bom te ler.

ana sandim disse...

Adorei o texto, além do detalhes e sufoco momentos antes de começar a criar ele.
Acredito que cada ser humano tem um dente de leão dentro de si...porém muitas pessoas deixam de espalhar seus algodãozinhos por ai...

( eu complicando tudo.. )
Sempre bom ler você..
Bjos

Cláudia Chalita disse...

Esta crônica me emocionou! Foi como contemplar um quadro ... e me deparar com uns sentimentos que não cabem em palavras.

Felicidade Clandestina. disse...

lindo.

Gabriela disse...

Amei seu blog! Beijos!!!

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