O dia que as árvores dançaram para mim.

"será que, às vezes, a gente vai com tanta pressa ao encontro de alguém que esquece de se levar junto? Será que o Sol, quando é muito forte, faz a sombra chegar primeiro do que a gente?" Rita Apoena.

Hoje, voltei assistindo, pela janela do ônibus, uma apresentação das árvores. Elas dançavam, ainda que não houvesse música. O asfalto molhado pela chuva e uma meia luz amarelada do poste compunham o cenário(Luz, que um dia foi branca, se é que alguém se lembra). Foi uma avenida inteira assim. Em fila indiana eu ia vendo a sombra das árvores dançarem no chão reluzente. As maiores, eu quase podia tocar, as menores, eu via melhor os detalhes. Hoje, meu filme me pareceu meio preto e branco. Mas confesso que as árvores estavam lindas e eu torci para que amanhã eles não ganhassem suas cores. Saindo do filme e caminhando para casa eu vi minha sombra passar primeiro pelo portão, corri afobada e até tentei dar a mão para ela, queria que entrassemos juntas, mas ela não quis papo. Eu sai e fui desabafar com a árvore me camuflei na sombra dela, para que minha própria sombra não me encontrasse, e contei para ela a minha vontade de me unir a minha sombra. A árvore não me disse nada, apenas ficou lá me olhando. Ela já tem seus problemas e não devia estar afim de ouvir os meus. Para mudar de assunto contei para ela sobre a apresentação de suas colegas mais cedo e disse que tinha certeza que nenhum jornal publicaria essa notícia. "Ontem as árvores da avenida ... dançaram para o público às 23 horas, a entrada foi franca..." A árvore concordou com a cabeça e eu entrei em casa sem reparar se minha sombra passou na minha frente.



3 comentários:

ana sandim disse...

'Ela já tem seus problemas e não devia estar afim de ouvir os meus.'
o interessante é que ela iria ouvir seus problemas e não ia reclamar..
adoro seus textos, e eu nunca sei o que dizer além de dizer que tão bom ler..

João Killer disse...

Toda vez que termino de ler seus textos, tenho a sensação de que fiz minha reflexão do dia.

Marcelo Delapadue disse...

Me lembro bem das luzes brancas. Coisa de cidade grande esse amarelo. Me lembro sim dessa época e me lembro de quando douraram a cidade. No interior as luzes ainda são brancas, Santa Barbara pelo menos, uma maravilha a noite, um pequeno detalhe que niguem por lá repara, as cores não ficam chapadas e o céu bem mais visível.

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